Logo pretendo voltar a postar regularmente. Abraços!
Reflexões aleatórias de um ateu.

Vejamos, por exemplo, a conhecida história (João 7:53-8:11) em que Jesus impede que uma mulher seja apedrejada como adúltera. É dessa passagem que se derivou a famosa expressão "Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra."

Estamos confinados a um mundo-brana (um sub-universo), que está contido em um universo-bolha com dimensões extras superiores. Não podemos ver nada fora de nosso mundo-brana; além dele, nossas mãos não alcançam. De fato, toda a matéria e ondas eletromagnéticas estão aprisionadas no mundo-brana. Suponhamos que deuses e espíritos sejam feitos de matéria, mas vivendo fora de nosso mundo-brana, ainda não poderíamos vê-los ou tocá-los, mesmo que eles estivessem a um milímetro de distância.Apesar de os outros trechos citarem apenas a Bíblia, este teve o cuidado de generalizar um pouco ("deuses e espíritos"). Mas o que esse trecho faz é apenas dizer que, se deuses e espíritos existem, eles devem habitar algo desse tipo (outras branas). A existência deles ainda é assumida a priori.
Na Teoria das Cordas, o gráviton é uma corda fechada, capaz de mover-se para qualquer lugar do universo-bolha. Então, o gráviton deve existir no universo-bolha, onde o Reino de Deus se situa.Opa, a última oração não está mais na Teoria das Cordas! Eu poderia substituir o "Reino dos Céus" por "Nirvana", "Hades", ou até mesmo "Inferno", e ainda ficar, por assim dizer, coerente.
Original (inglês): Terry BissonDe outro modo, a Igreja nunca – repito: nunca! – condenou a ciência! Ela sempre fundou universidades e estimulava os estudos. O que é condenável é a ciência moderna, a ciência liberal e atéia, que desafia Deus, que dá um pontapé no criador, diviniza a criatura e põe em si própria os louros de redentora da humanidade.
PZ Myers, como de costume, colocou os pingos nos is em um post recente, desta vez tratando da acusação de que a teoria da evolução de Darwin inspirou a eugenia, especialmente a levada a cabo pelos nazistas. O Mateus, católico que costumava debater comigo, já havia citado um artigo do Montfort que afirmava isso, e pelo visto o assunto foi destacado no recente filme criacionista Expelled.
Recebo novo mail do Rui:Fica uma pergunta no ar:Meditei e pensei em algumas hipóteses:
"Por que Jesus sendo Deus não fez nada para se livrar da morte????
Meditem nessa mensagem clicando no link.
Nas últimas décadas - por sorte - o mundo não viu apenas o crescimento vertiginoso de religiões, de sectarismos, de seitas, desvarios místicos e de fundamentalismos associados ao terror e à fé. Vem testemunhando também a reação de livres-pensadores, filósofos e intelectuais ateus de todos os matizes. Cientes de que o radicalismo nas religiões pode ser maléfico, e da possibilidade de ser honesto, menos salafrário e, até mesmo, espiritualista sem Deus, os intelectuais produzem trabalhos importantes sobre a temática.
Para eles, por debaixo da aparente democracia do velho axioma "religião e política não se discutem", havia - e há - um sutil artifício de censura e de interdição de esclarecimento pessoal que pode muito bem ter sido responsável pelo estado de alienação e de atraso em que os países latinos em geral - e o Brasil em particular - se encontram atualmente, tanto no universo da política como no da religiosidade. (...)
Daí o alerta de [Sam] Harris:
- Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores - e muitos dos que são eleitos - acreditam que os dinossauros sobreviveram aos pares na arca de Noé, que a luz de galáxias distantes foi criada a caminho da Terra e que os primeiros membros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante e pela mão de um Deus invisível. E o mais bizarro de tudo isso é que esse Deus absconditus tem sido o motivo principal de muitas chacinas, de muitas imposturas e de incontáveis sofrimentos. Se pelo menos aparecesse, desse uma pista aos homens de pouca fé... Mas não, prefere o anonimato e a clandestinidade.
Insiste em habitar o invisível, fato que, para o filósofo Comte-Sponville, é espantoso. Um Deus que se esconde com tanta obstinação!
- Seria simples e eficaz, Deus consentir em se mostrar, pois, se quisesse que eu acreditasse nele, resolveria num instantinho esse assunto. Um Deus oculto!
Para Dawkins, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento. (...)
Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda, Dinamarca e o Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capita, educação, igualdade entre os sexos, taxa de homicídios e mortalidade infantil. Inversamente, os 50 países que ocupam os lugares mais baixos, segundo o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, são religiosos. Enfim, as leituras mencionadas são obrigatórias a qualquer um - ateu ou crente - que queira estar à altura de sua época.
(...) Estamos, portanto, falando de mórulas que tenham sido consideradas inviáveis ou que estejam congeladas há mais de três anos --o que as torna más candidatas para iniciar uma gravidez. Não foram implantadas num útero e são mais do que remotas as chances de que venham a sê-lo. Seu destino seria a destruição pura e simples ou permanecer indefinidamente congeladas num freezer.
(...) existem alguns milhares de embriões armazenados em clínicas de fertilidade. Qual a proposta do Vaticano para eles? Obrigar as mães a introduzi-los em seus úteros? Oferecer as freiras para servir de barrigas de aluguel e permitir que eles possam nascer?
(...) Não é muito diferente da questão do aborto. (...) o que a igreja pretende que se faça com as mulheres que tentam --e continuarão tentando, não importa o que diga a lei-- expulsar embriões de seus úteros? Colocá-las na cadeia? No Brasil, estima-se que sejam 1,5 milhão de abortos por ano. Lembrando que são relativamente raros os casos de mulheres que fazem dois procedimentos no mesmo ano, precisaríamos de algo como 1,2 milhão de novas vagas/ano em penitenciárias femininas. Isso dá a bagatela de 3.333 vagas/dia, sem botar na conta médicos, parteiras e comadres que se acumpliciam com as criminosas e, pela lei, também deveriam ir para o xilindró. Será que a Santa Sé está disposta a leiloar alguns de seus Michelangelos e Fra Angélicos para nos ajudar a construir tantas cadeias? Minha suspeita é que desejam manter essas práticas na ilegalidade apenas pelo prazer de, depois, perdoar o pecador.
(...) Estima-se que 2/3 a 3/4 dos óvulos fecundados jamais se fixem no útero, resultando em "abortos" espontâneos (...); a "vida em potência", no mais das vezes, torna-se, não "vida em ato", mas "aborto em ato". Se a alma é soprada por Deus no momento da concepção, qual é o sentido desse verdadeiro holocausto anímico? Para cada alma humana que "vinga" duas ou três são sacrificadas antes mesmo de vir à luz. Tamanho "desperdício" seria menos insensato se a Igreja Católica abraçasse, como as religiões antigas, a doutrina da metempsicose (transmigração das almas). A alma não teve sucesso nesta tentativa, paciência, volte mais tarde. Mas, como o catolicismo rejeita a tal da reencarnação, cada aborto resulta numa alma irremediavelmente perdida. (...)É, entretanto, o fenômeno da gemelaridade que revela todos os limites e contradições da idéia de alma. Gêmeos monozigóticos (idênticos) se formam entre um e 14 dias depois da fertilização, quando o embrião sofre um desenvolvimento anormal dando lugar a dois ou mais indivíduos com o mesmo material genético. A alma, é claro, já estava lá. Cabem, assim, algumas perguntas. Ela também se divide, ou outras almas surgem para animar os demais irmãos? De onde elas vêm? Quem fica com a "original"? E, se gêmeos partilham a mesma alma, como fica o livre-arbítrio? Se um irmão peca, leva o outro --talvez bonzinho-- ao inferno? Ou a alma boa prevalece sobre a má, carregando para o paraíso uma ovelha negra?
Cada um é livre para acreditar ou não em alma, ciência, tratamentos para fertilidade ou uma mistura disso tudo em proporções variáveis. Mas o Estado democrático deve procurar a proporcionar a maior felicidade possível para o maior número de cidadãos, sempre respeitando os direitos de todos. Nessa busca invariavelmente conflituosa, fatos provados devem ter primazia sobre opiniões. Dogmas e crenças de alguns não podem converter-se em obstáculos na busca pelo bem comum.
Há pouco a complementar, mas eu diria que não é só o prazer de perdoar, mas também usufruir da autoridade proporcionada pelo papel de "perdoador".