Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Adeus...

O blog já estava criando teia... logo, decidi começar de novo. Meu novo blog agora é o in a Nutshell.
Logo pretendo voltar a postar regularmente. Abraços!

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Não deixe o cérebro cair


Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

A controversa teoria do "Big-Ben"

Sem comentários...
Fonte: Yahoo! Respostas

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Raízes

Enquanto isso, em algum aeroporto de Paris...

Sarkozy e Papa reafirmam raízes cristãs da Europa

Tão perminente quanto reafirmar as raízes das leis no Código de Hamurábi e na Lei de Talião.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

A Bíblia distorcida pelos católicos

Esse texto foi retirado do Rotten Library, que, apesar do nome, possui textos nada podres, mas recheados de curiosidades e temperados com ironia e inteligência. (Metáforas culinárias demais... acho que é a fome...)

O texto abaixo, em especial, dá uma idéia de como a Bíblia foi distorcida e adulterada ao longo do tempo. Depois de lê-lo, quando alguém citar a Bíblia para você, tente imaginar tudo o que aquelas palavras sofreram até chegar aos seus ouvidos ou olhos, e o quão distante aquilo pode estar do cerne original da fé que o próprio interlocutor segue...

Original (inglês): Rotten Library

O Antigo Testamento não teria sobrevivido sem ser copiado e recopiado; da mesma forma, a sobrevivênvia do Novo Testamento dependeu do trabalho de várias gerações de escribas copistas, e também da confecção e distribuição de cópias - afinal, apesar da reverência dos primeiros cristãos ao evangelho escrito, a degradação não era a única ameaça. Guerras, acidentes, perseguições, facciosismo e supressão de heresias também tiveram seu papel na obliteração dos originais, bem como as primeiras cópias feitas deles.

Conseqüentemente, não sobrou virtualmente nada do período inicial do Cristianismo. Os textos originais do NT simplesmente não existem mais. Os evangelhos de Lucas, Mateus, Marcos e João só existem como degradadas cópias de cópias - que, por sua vez, foram bastante editadas, ou desfiguradas por erros acidentais. E pior, mesmo essas cópias são poucas e fragmentadas. Não mais que 35 delas são anteriores ao ano 400, e apenas 80 são anteriores ao ano 800.

Os mais antigos fragmentos do evangelho de João, por exemplo, são cópias traduzidas por volta do ano 200 - pelo menos 100 anos depois da morte do apóstolo. Não espanta que muitos especulem sobre se elas realmente representam as palavras de João. Historiadores, lingüistas e estudiosos da religião concordam que o Evangelho de João, tal como o conhecemos, difere notavelmente daquele de posse da igreja cristã primitiva.

Letters of St. Paul, copy 200 AD Vejamos, por exemplo, a conhecida história (João 7:53-8:11) em que Jesus impede que uma mulher seja apedrejada como adúltera. É dessa passagem que se derivou a famosa expressão "Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra."

Essa história está completamente ausente da versão primitiva de João, bem como das primeiras traduções para o latim e das antigas versões usadas na Terra Santa. De fato, de acordo com Zigabeno (estudioso bizantino do século 12, primeiro padre a comentar essa passagem), cópias fiéis do Evangelho de João não contêm nem devem conter esse trecho. E mais: se taparmos a história, vemos que João 7:52 flui sem problemas para João 8:12, o que apóia ainda mais a idéia de que a passagem foi inserida posteriormente. Quem a inseriu, e por quê, permanece um mistério.

Outro exemplo: em todas as versões traduzidas depois do século 5, em João 9:35 lê-se o seguinte: "Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?" Mas no papiros e códices transcritos antes do século 5, encontramos: "(...) Crês no Filho do Homem?"

Esses exemplos ilustram o fato de que alguém, em algum momento, fez mudanças significativas no Evangelho de João. Talvez em alguns casos sejam erros não intencionais (era comum que os escribas perdessem o ponto e "colassem" um parágrafo num lugar diferente), ou talvez fosse alguém tentando restaurar um fragmento perdido de sabedoria, e usando um manuscrito de outro evangelho. Não sabemos. Mas supor que "Filho do Homem" tenha sido trocado acidentalmento por "Filho de Deus" - e ficado sem questionamento - soa ridículo, dado a importância da expressão.

O que realmente sabemos é que esse tipo de discrepância ou interferência não está limitado ao Evangelho de João. Como já foi dito, não temos como saber o que os textos originais diziam exatamente. Aparentemente, os manuscritos originais se foram. Mas à medida que comparamos as primeiras cópias com as versões posteriores repassadas aos vários ramos da igreja (como a Ortodoxa Oriental, a Cóptica etc.), percebemos todo tipo de variação e discrepância. Last Supper as depicted by Juanes.

Há ao todo cerca de 300.000 discrepâncias no Novo Testamento entre as várias versões manuscritas primitivas. É significativo que a maior quantidade de variação (ae revisão) encontre-se nas partes mais importantes - ou seja, aquelas que mais determinam a doutrina oficial da igreja: o nascimento e a morte de Cristo, o uso da Eucaristia, o tempo passado no jardim de Getsêmane, o que ele disse na cruz, a ressurreição e a ascenção.

Naturalmente vem a pergunta: como essas discrepâncias ocorreram? Como já mencionado, pode ser um mero erro dos escribas, uma falha na cópia. Mas o fato de que o grosso delas ocorra onde mais interessa - nos pontos onde mais teria impactado as políticas da igreja - é terrivelmente suspeito. Devemos acreditar que é tudo mera coincidência?

Considerando que a Igreja Católica Romana (sob o jugo da qual a maioria das discrepâncias apareceu) é tão zelosa com esse tipo de informação quanto o Kremlin durante a guerra fria, deve levar algum tempo até que tenhamos um melhor relato sobre como e por que essas alterações ocorreram, e o que isso de fato significa para o dogma da igreja. Enquanto isso, é comumente reconhecido o fato de que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João (os quatro reconhecidos reconhecidos pela igreja como autênticos) têm todo o jeito de textos secundários. Ou seja, cada um deles parede ter sido montado a partir de pedaços de textos mais antigos, inclusive, talvez, de tradições orais.

E embora muitos garantam que esses textos foram compilados de materiais escritos ou ditados diretamente pelos apóstolos, não existe de fato nenhuma prova real disso. Além disso, as alegações da igreja de que Hebreus foi escrito por Paulo e Apocalipse por João - feitas para fortalecer a autoridade dos falecidos apóstolos e de seus sucessores, os papas e bispos - não são respaldadas por evidência.Na verdade, os historiadores declaram que não se sabe quem escreveu esses textos. Ezekiel, 4th Century in Latin

É importante notar que, apesar de a igreja ter começado seu reinado com versões em grego do NT e traduções para o grego do AT (Bíblia hebraica - Septuaginta), o crescente domínio da Igreja Romana (face a outros ramos da igreja primitiva) significava que esses trabalhos inevitavelmente seriam traduzidos para o latim. A qualidade das traduções variam conforme a versão, culminando com o trabalho de São Jerônimo (342-420), que produziu a primeira tradução definitiva para o latim, a Vulgata.

Embora supostamente Jerônimo tenha buscado extirpar os erros das traduções do AT, voltando-se aos textos hebraicos, atualmente os estudiosos apontam que ele pode não ter realizado essa tarefa com tanta profundidade (ou simplesmente desconhecia o idioma hebraico), pois sérios erros de tradução (e conseqüentemente de significado) permaneceram na Vulgata. Assim, tanto o material do AT quanto do NT apresentados pela Igreja Católica são suspeitos, cheios de erros e talvez até mesmo falsificações.

(...) Foi apenas em tempos recentes que os estudiosos religiosos e seculares conseguiram juntar as "vozes" alternativas representadas nos outros ramos da igreja cristã primitiva (Cóptica, Síria etc.), e compará-las aos vários achados feitos em bibliotecas e escavações arqueológicas na região mediterânea, e então disponibilizaram essas informações para o público.

Juntas, essas "vozes" oferecem um novo entendimento dos ensinamentos de Jesus, ainda que eles introduzam novas questões e enigmas. Ao mesmo tempo, essas mesmas fontes alternativas de material escancararam o fato de que, apesar de a Igreja Católica Romana continuar a se mostrar como guardiã divinamente designada do evangelho e como sucessora do ministério de jesus, por séculos exerceu o papel de censor e falsa profetisa, reprimindo e malformando conhecimento que já havia sido suprimido, e então distorcido, pelo primeiros líderes da igreja cristã. Aquilo que uma vez foi oculto daqueles não tão avançados espiritualmente, por razões místicas (e talvez políticas), simplesmente foi obliterado pelo Catolicismo. Enquanto isso, aquelas porções dos ensinamentos que tinham sido tornadas públicas foram ainda mais distorcidas e apagadas, suplantadas pela doutrina católica em ascensão.

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Doctor Who é o Senhor


Sorry, não estou com tempo nem de traduzir :)

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Guia de conversação com cristãos

Seus problemas se acabaram-se! Finalmente você vai poder entender aquelas frases cristãs enigmáticas...

Compilado e traduzido de Unreasonable Faith.

“Você só precisa aceitar Jesus em seu coração para ir para o céu.”
Tradução: “Você vai queimar no inferno se não rezar, rapaz.”

“Amém.”
Tradução: “Responda 'Amém'!”

“Deus está no comando.”
Tradução: “Só acredito nisso em situações extremas. O resto do tempo, acredito que a responsabilidade é nossa e ajo conforme..”

“Odeie o pecado e ame o pecador.”
Tradução: “Sou um fundamentalista fervoroso.”

“Estamos no fim dos tempos.”
Tradução: “Meu pastor disse que estamos no fim dos tempos.”

“Jesus te ama.”
Tradução: “Eu não.”

“O que você diria se ficasse diante de Deus depois de morrer?”
Tradução: “Agora te peguei, pecador!”

“Obrigado, Jesus!”
Tradução: “É mais fácil agradecer a Jesus do que às pessoas que merecem.”

“Você já encontrou Jesus?”
Tradução: “Você também ama Jesus, ou vou ter que converter você?”

“Vou orar por você.”
Tradução: “Essa conversa acabou. Minha cabeça explodiu.” Ou, “Recuso-me a aceitar que você venceu essa discussão.”

“É um milagre!”
Tradução: “Meu cérebro não compreende como isso pode acontecer sem Deus estar envolvido, então deve ser verdade.”

“É preciso mais fé para ser ateu do que para ser cristão.”
Tradução: “Na verdade não entendo o ateísmo ou como é possível não acreditar em um deus.”

“É um mistério.”
Tradução: “Também acho que não faz sentido, mas é o que está na Bíblia.”

“Não é uma religião, é uma relação.”
Tradução: “Espero que você não pergunte se vou à igreja toda semana.”

“Deus atende todas as preces.”
Tradução: “Só que às vezes ele diz que não…”

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Adultério justificado na Bíblia

Essa eu tive que botar tag de humor...

Aiaiaiai... as criaturas mal sabem ler, mas são tementes a Deus, claro. Aí cometem barbaridades como a desse vídeo... Para resumir, o pastor-pedreiro encontrou (pelo menos, foi o que ele achou) uma justificativa na Bíblia para pegar a mulher do vizinho! Até o marido traído consentiu...



Tudo, é claro, como disse o pastor-pedreiro, "com a direção do espírito":

Mulher (que teve "sonhos estranhos"com o pastor): "Deus me levou a fazer isso, não teve para onde fugir."
Marido traído: "Se fosse a vontade de Deus seria feito."
Pastor-pedreiro: "Entramos em oração, pedimos a Deus misericórdia. (...) Deus mandou tomar uma mulher e adulterar."

Mas concordo com o pastor que comenta, no fim do vídeo, que as pessoas devem ter cuidado "para não serem enganadas por qualquer pessoa que se levante com um livro preto na mão." Afinal, essas pessoas quase sempre vão tentar te empurrar algo que exigirá aceitação sem questionamento, alegando que é a "palavra de Deus"...

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Dando corda para Deus

Estava eu olhando descompromissadamente alguns vídeos sobre relatividade, quando deparei com esse:



O vídeo em si é legal. O problema é que algum cristão tratou de poluir o vídeo com trechos da Bíblia e outras "explicações" que a Teoria das Cordas daria sobre a natureza de Deus. Não sou especialista no assunto, mas sei ver quando alguém quer apenas se aproveitar para vender seu peixe (sem trocadilho, se é que me entendem...).

A idéia é que viemos em um "mundo-membrana", ou brana, e que o fato de não "enxergarmos" deuses e espíritos é que eles estão fora da brana, em dimensões extras às quais não temos acesso. Uma das legendas acrescentadas diz o seguinte:
Estamos confinados a um mundo-brana (um sub-universo), que está contido em um universo-bolha com dimensões extras superiores. Não podemos ver nada fora de nosso mundo-brana; além dele, nossas mãos não alcançam. De fato, toda a matéria e ondas eletromagnéticas estão aprisionadas no mundo-brana. Suponhamos que deuses e espíritos sejam feitos de matéria, mas vivendo fora de nosso mundo-brana, ainda não poderíamos vê-los ou tocá-los, mesmo que eles estivessem a um milímetro de distância.
Apesar de os outros trechos citarem apenas a Bíblia, este teve o cuidado de generalizar um pouco ("deuses e espíritos"). Mas o que esse trecho faz é apenas dizer que, se deuses e espíritos existem, eles devem habitar algo desse tipo (outras branas). A existência deles ainda é assumida a priori.

Mas vamos assumir por um momento que existem seres transbrânicos (neologismo meu). O que raios nos leva a crer que exatamente o deus cristão, ou qualquer outro, seria um deles? Ou que a existência de branas tenha algo a ver com pecado, salvação, karma, reencarnação e outros dogmas? Absolutamente nada. Essa explicação nada mais faz do que dizer que é possível a existência de dimensões além daquelas com as quais estamos acostumados.

Mas vamos à cereja do bolo:

Na Teoria das Cordas, o gráviton é uma corda fechada, capaz de mover-se para qualquer lugar do universo-bolha. Então, o gráviton deve existir no universo-bolha, onde o Reino de Deus se situa.
Opa, a última oração não está mais na Teoria das Cordas! Eu poderia substituir o "Reino dos Céus" por "Nirvana", "Hades", ou até mesmo "Inferno", e ainda ficar, por assim dizer, coerente.

Alguém mais entendido me corrija se eu estiver falando besteira, mas até onde sei, a Teoria das Cordas é um modelo matemático. Ninguém ainda detectou algo "fora de nosso mundo-brana", embora a existência das branas seja prevista no modelo. É mais ou menos como os números imaginários: apenas de eles serem extremamente úteis em análise e modelagem, não posso, como disse Stephen Hawking, ter uma fatura imaginária de cartão de crédito.

E o engraçado é que há outros usando justamente a idéia oposta para chegar ao mesmo fim, explicar a existência de Deus assumindo justamente que a existência de outros universos é absurda, e a aparente "sintonia" de nosso universo para a vida só pode ser obra de um ser inteligente.

Decidam-se, pessoal!

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Eles são feitos de carne!

Um divertido exercício de imaginação supondo o quão errados podemos estar em nossas preconcepções sobre... bem, a vida o universo e tudo mais . :)

Original (inglês): Terry Bisson

- Eles são feitos de carne.

- Carne?

- Carne. Eles são feitos de carne.

- Carne?

- Não resta dúvida. Pegamos vários de diferentes partes do planeta, levamos a bordo de nossas naves de reconhecimento, e sondamos através deles. Eles são totalmente feitos de carne.

- Isso é impossível. E os sinais de rádio? As mensagens às estrelas?

- Eles usam ondas de rádio para falar, mas os sinais não vêm deles; vêm de máquinas.

- Mas então, quem fez as máquinas? É esses que queremos contatar.

- Eles fizeram as máquinas. É o que estou tentando dizer. Carne fez as máquinas!

- Isso é ridículo. Como carne pode fazer uma máquina? Você está pedindo que eu acredite em carne inteligente.

- Não estou pedindo nada, estou afirmando. Essas criaturas são a única raça inteligente naquele setor e eles são feitos de carne!

- Talvez eles sejam como os orfolei. Sabe, uma inteligência baseada em carbono que passa por um estágio de carne.

- Não; eles nascem carne e morrem carne. Nós os estudamos pelo tempo de vários de seus tempos de vida, que não duram muito. Você tem idéia do tempo de vida de carne?

- Poupe-me... OK, talvez eles sejam apenas parte carne. Sabe, como os weddilei. Uma cabeça de carne com um cérebro de plasma eletrônico.

- Não. Pensamos nisso, já que eles têm cabeça de carne, como os weddilei. Mas eu já disse, nós os sondamos. Eles são inteiramente feitos de carne!

- Sem cérebro?

- Há um cérebro, sim. Só que o cérebro é feito de carne! É isso que estou tentando dizer.

- Mas então... com o que eles pensam?

- Você não está entendendo, não é? Você se recusa a lidar com o que estou dizendo. É o cérebro que pensa. A carne!

- Carne pensante! Você esté me pedindo para acreditar em carne que pensa!

- Sim, carne que pensa! Carne consciente! Carne que ama, que sonha... a carne faz tudo! Está pegando ou vou ter que começar tudo de novo?

- Aimeudeus. Você está falando sério. Eles são feitos de carne...

- Obrigado! Finalmente! Sim, eles de fato são feitos de carne. E eles têm tentado nos contatar por quase cem de seus anos.

- Aimeudeus. O que você tem em mente?

- Primeiro eles querem falar conosco. Aí acho que vão querer explorar o Universo, contatar outros seres inteligentes, trocar idéias e informações. O de sempre.

- Então vamos ter que conversar com carne...

- É a idéia. É a mensagem que eles estão mandando por rádio: "Olá, alguém aí? Alguém em casa?" Esse tipo de coisa.

- Então eles falam mesmo. Eles usam palavras, idéias, conceitos?

- Ah, sim... Só que eles fazem isso com a carne.

- Achei que você tinha dito que eles usavam rádio.

- Sim, mas o que você acha ques está no rádio? Sons de carne! Sabe quando você bate na carne ou a cachoalha, e ela faz barulho? Eles falam chacoalhando pedaços de carne um contra o outro. Eles até cantam, espremendo ar pela carne.

- Aimeudeus. Carne que canta. Isso já é demais. O que você sugere?

- Oficialmente ou não oficialmente?

- Os dois.

- Oficialmente, devemos contatar e dar as boas-vindas a quaisquer raças inteligentes ou multiseres neste quadrante do Universo, sem preconceito, medo ou favorecimento. Não oficialmente, aconselho que apaguemos os registros e esqueçamos a coisa toda.

- Esperava que você dissesse isso.

- Parece drástico, mas tudo tem limite. Quem iria querer contatar carne?

- Concordo 100%. O que iríamos dizer? "Olá, carne, tudo bem?" Mas isso vai funcionar? De quantos planetas estamos falando?

- Só um. Eles podem viajar a outros planetas em contâineres de carne especiais, mas não podem viver neles. E, sendo carne, eles só podem viajar através do espaço C, o que os limita à velocidade da luz e deixa a possibilidade de contato bem pequena. Infinitesimal, na verdade.

- Então vamos simplesmente fingir que não tem ninguém em casa no Universo.

- Isso.

- É cruel, mas como você disse, quem quer encontrar carne [meet meat]? E aqueles que foram sondados, tem certeza que eles não vão lembrar de nada?

- Se lembrarem, vão ser considerados doidos. Nós entramos nas suas cabeças de carne a as amaciamos de forma que pareceremos apenas um sonho para eles.

- Um sonho de uma carne! Mas é estranhamente apropriado que sejamos sonho de carnes.

- E marcamos o setor como desocupado.

- Ótimo. Concordo, oficialmente e não oficialmente. Caso encerrado. Mais algum? Alguém interessante desse lado da galáxia?

- Sim, uma algo tímida mas gentil inteligência numa estrela de classe 9 na zona G445. Fez contato há duas rotações galáticas atrás, e quer fazer amizade de novo.

- Eles sempre voltam...

- E por que não? Imagine como o Universo seria insuportavelmente frio se estivéssemos sozinhos...

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Existe "ciência atéia"?

No post anterior, citei um artigo do site Montfort que citava, entre outras coisas, a eugenia e o nazismo como "frutos da teoria da evolução". O referido texto era uma resposta a uma carta de um estudante de física. Pensei em escrever eu mesmo uma carta, mas a mensagem do site me intimidou: há 4684 cartas esperando resposta, e o número não estava baixando.

Um trecho que me chamou especialmente a atenção foi o seguinte:
De outro modo, a Igreja nunca – repito: nunca! – condenou a ciência! Ela sempre fundou universidades e estimulava os estudos. O que é condenável é a ciência moderna, a ciência liberal e atéia, que desafia Deus, que dá um pontapé no criador, diviniza a criatura e põe em si própria os louros de redentora da humanidade.
Pergunto-me o que seria ciência "não-moderna". Além, obviamente, do criacionismo, do que consistiria? Para mim, exemplos de ciência "não-moderna" são a física aristotélica, a astronomia ptolomaica, a geração espontânea, a alquimia... A ciência do Corão, talvez?

Não existe algo como "ciência liberal", nem "ciência conservadora", nem "ciência de centro". Um cientista em particular pode se enquadrar em uma das categorias, mas suas teorias passam pelo crivo do mesmo método, que inclui análise dos pares, e estes podem (e de preferência devem) incluir pessoas com idéias diametralmente opostas.

Mas a parte mais estapafúrdia foi a da "ciência atéia". Não existe tal coisa. A "hipótese Deus" não é testável nem falseável, premissas básicas para ser considerada científica. Logo, não é o caso que a ciência negue a existência de Deus, e nem poderia; ela simplesmente a ignora, pois não tem evidências para trabalhar. Os religiosos é que tomam isso como ofensa.

Ainda bem que, na prática, mesmo as universidades religiosas costumam, em sua maioria, ensinar ciência "moderna", mesmo.

Nem toda seleção é natural

PZ Myers, como de costume, colocou os pingos nos is em um post recente, desta vez tratando da acusação de que a teoria da evolução de Darwin inspirou a eugenia, especialmente a levada a cabo pelos nazistas. O Mateus, católico que costumava debater comigo, já havia citado um artigo do Montfort que afirmava isso, e pelo visto o assunto foi destacado no recente filme criacionista Expelled.

A eugenia é praticada desde tempos imemoriais, seja para melhorar os rebanhos de gado ou as lavouras. O que Darwin mostrou foi que processos semelhantes ocorrem naturalmente - daí o termo seleção natural - e guiam a evolução. Parafraseando Stephen Hawking, culpar Darwin pela eugenia nazista é como culpar Newton pelas quedas de aviões. Que eu saiba, Darwin não disse que são eticamente perfeitos os processos naturais que ele observou, nem que devem necessariamente ser por nós copiados .

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Multiplicai-vos

Em algum ponto do tempo entre 10 mil e 5 mil aC, suponhamos duas comunidades, cada uma com sua religião. A da primeira, como de praxe, incentiva o estabelecimento de famílias com muitos filhos, enquanto a segunda, anacronicamente, prega o planejamento familiar. Some algumas décadas e a belicosidade inerente ao período, e é fácil prever o desfecho do contato entre os dois grupos.

Com isso em mente, não é difícil entender a obsessão das religiões pela fertilidade: chega a ser como um imperativo evolucionário. Que eu lembre, nenhuma das grandes religiões é exceção. Na competição entre os memes religiosos, é óbvio que o mais numeroso tem uma grande vantagem. Para uma nação conquistadora, como a assíria ou a nórdica, além de um exército numeroso, uma religião traz senso de unidade, submissão à autoridade, diminui o medo da morte.

E por incrível que pareça, isso continua hoje. O islã, que também defende a poligamia, já ultrapassa o catolicismo, e incessamentemente ameaça os "estados cruzados" com atentados. O catolicismo continua com sua caduca oposição à camisinha, cujo malefício à igreja é reduzir o número de bebês batizados sem consentimento. E enquanto escrevo, uma dissidência dos mórmons, numa propriedade do tamanho de um quarto do Rio Grande do Sul, estabelece um regime poligâmico em que as mulheres são transformadas em máquinas parideiras, com obrigação de casar com um homem muito mais velho, fazer sexo sempre que requisitadas, gerar um filho por ano, entre outras barbaridades que só a fé é capaz de justificar.

Há alguns milhares de anos a população mundial estava provavelmente na casa de, no máximo, algumas dezenas de milhões. Hoje, nos encaminhamos para a assustadora cifra de 7 bilhões de humanos, enfrentamos escassez de recursos e risco de colapso ambiental, e nenhum político, em qualquer país razoavelmente desenvolvido, estimularia fartas proles sem ser considerado um irresponsável ou um alienado.

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

A pergunta que não quer calar

Recebo novo mail do Rui:
Fica uma pergunta no ar:

"Por que Jesus sendo Deus não fez nada para se livrar da morte????

Meditem nessa mensagem clicando no link.
Meditei e pensei em algumas hipóteses:

- Por que ele era o "cordeiro de Deus", e naquela época todos sabiam que o cordeiro morria no final.

- Para poder nos ameaçar com o inferno com mais autoridade. Ou por acaso você já desceu à "mansão dos mortos?"

-Por que seus superpoderes não funcionam quando as mãos estão presas. (Mas e depois que tiraram ele da cruz? Ah, se prendem as mãos, os poderes só voltam cerca de 36 horas depois...)

- Porque o stress da crucificação, mais o sol forte da Palestina, agravaram seu distúrbio de tripla personalidade, sendo que uma tentava falar com a outra, acusando-a de abandono. Como se vê, uma grave confusão mental que impossibilitou qualquer reação.

Se quiserem, contribuam com outras. Mas, como já dizia Occam, devemos preferir a explicação mais simples:

- Por que ele - se é que existiu - não era Deus.

Isabella

Isabella. Não se pode mais ligar a TV num noticiário, abrir um jornal, nem mesmo aprir um portal na web sem ver essa palavra. Não que eu queira minimizar a barbaridade do ato, mas a quantidade de holofotes me parece exagerada.

Façamos alguns experimentos mentais, que não machucam ninguém. Qual é a diferença entre matar mais rápido ou mais devagar? É melhor morrer após uma semana de tortura, ou viver essa semana normalmente e depois tomar um tiro na nuca? Passando para a infância: o que é pior, atirar uma criança de um prédio ou deixá-la definhar de fome até a morte?

De modo algum estou querendo dizer que considero que o assassino de Isabella cometeu um ato de piedade. Meu ponto é que existem muitas "mortes lentas", mas mesmo assim a atenção fica toda para as "mortes rápidas". Um deputado que desvia verbas que deveriam ir para educação ou saúde está matando crianças lentamente. Mas esses recebem uma curta nota de repúdio, mas não costuma passar muito disso. Já nos casos das Isabellas da vida, são dados blocos inteiros de telejornais (e seus equivalentes nas outras mídias, em proporções semelhantes), organizam-se passeatas, rezam-se missas e novenas, e o assunto domina as conversas, junto com o resultado da última eliminação em algum reality show.

Por que será que isso acontece? Talvez porque atos assim, a um tempo bruscos e inusitados, ultrapassam o limite do decoro. Ficam muito na cara. Privar crianças de comida, saúde e educação, durante anos, as mata de uma forma muito mais lenta, mas também muito mais sutil e discreta.

É parecido com o que acontece quando cai um avião. O estado de comoção geral dura semanas. Cabeças rolam nos órgãos de controle aéreo, exigem-se providências urgentes das autoridades para aumentar a segurança nos vôos. OK, tudo altamente justificável... Mas ninguém nota que nas estradas do Brasil, a cada 48 horas morrem pessoas em quantidade suficiente para lotar um Airbus. Só que a coisa é mais dispersa e menos escandalosa.

Ateísmo não é o fim do mundo

Uma boa surpresa esse texto encontrado no Diário Catarinense, falando sobre os vários livros lançados recentemente sobre ateísmo. Cito alguns trechos:

Nas últimas décadas - por sorte - o mundo não viu apenas o crescimento vertiginoso de religiões, de sectarismos, de seitas, desvarios místicos e de fundamentalismos associados ao terror e à fé. Vem testemunhando também a reação de livres-pensadores, filósofos e intelectuais ateus de todos os matizes. Cientes de que o radicalismo nas religiões pode ser maléfico, e da possibilidade de ser honesto, menos salafrário e, até mesmo, espiritualista sem Deus, os intelectuais produzem trabalhos importantes sobre a temática.

Para eles, por debaixo da aparente democracia do velho axioma "religião e política não se discutem", havia - e há - um sutil artifício de censura e de interdição de esclarecimento pessoal que pode muito bem ter sido responsável pelo estado de alienação e de atraso em que os países latinos em geral - e o Brasil em particular - se encontram atualmente, tanto no universo da política como no da religiosidade. (...)

Daí o alerta de [Sam] Harris:

- Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores - e muitos dos que são eleitos - acreditam que os dinossauros sobreviveram aos pares na arca de Noé, que a luz de galáxias distantes foi criada a caminho da Terra e que os primeiros membros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante e pela mão de um Deus invisível. E o mais bizarro de tudo isso é que esse Deus absconditus tem sido o motivo principal de muitas chacinas, de muitas imposturas e de incontáveis sofrimentos. Se pelo menos aparecesse, desse uma pista aos homens de pouca fé... Mas não, prefere o anonimato e a clandestinidade.

Insiste em habitar o invisível, fato que, para o filósofo Comte-Sponville, é espantoso. Um Deus que se esconde com tanta obstinação!

- Seria simples e eficaz, Deus consentir em se mostrar, pois, se quisesse que eu acreditasse nele, resolveria num instantinho esse assunto. Um Deus oculto!

Para Dawkins, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento. (...)

Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda, Dinamarca e o Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capita, educação, igualdade entre os sexos, taxa de homicídios e mortalidade infantil. Inversamente, os 50 países que ocupam os lugares mais baixos, segundo o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, são religiosos. Enfim, as leituras mencionadas são obrigatórias a qualquer um - ateu ou crente - que queira estar à altura de sua época.

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

A Ciência do Corão

É a pura verdade: estamos no século 21 e ainda tem gente tentando defender a idéia de que a Terra é plana! Só mesmo rindo...



Chega a dar medo, se você lembrar que os muçulmanos já são mais numerosos que qualquer denominação cristã sozinha...

Pálido ponto azul



Precisa falar alguma coisa?

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Um carta do inferno

Esse vídeo mostra muito bem como o cristianismo se espalha: na base da ameaça. "Aceite-me... ou queime no inferno". Essa é a "mensagem de amor" subjacente ao evangelho.

O vídeo insistentemente repete: "E se...?" Faltou considerar: e se for tudo falso? E se não existir deus, inferno, céu?

O próprio filme dá as pistas do absurdo. Os dois amigos faziam as mesmas coisas. A única diferença era a crença. Grande amor tem esse deus, que queima os próprios filhos no inferno sem nem razão suficiente. Melhor que não exista mesmo.

Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Células-tronco, a igreja e o prazer de perdoar

Mais uma excelente crônica de Hélio Schwartsman, com lúcidos argumentos sobre a questão das células-tronco embrionárias. Recomendo a leitura do texto na íntegra, mas destaco alguns trechos:

(...) Estamos, portanto, falando de mórulas que tenham sido consideradas inviáveis ou que estejam congeladas há mais de três anos --o que as torna más candidatas para iniciar uma gravidez. Não foram implantadas num útero e são mais do que remotas as chances de que venham a sê-lo. Seu destino seria a destruição pura e simples ou permanecer indefinidamente congeladas num freezer.

(...) existem alguns milhares de embriões armazenados em clínicas de fertilidade. Qual a proposta do Vaticano para eles? Obrigar as mães a introduzi-los em seus úteros? Oferecer as freiras para servir de barrigas de aluguel e permitir que eles possam nascer?

(...) Não é muito diferente da questão do aborto. (...) o que a igreja pretende que se faça com as mulheres que tentam --e continuarão tentando, não importa o que diga a lei-- expulsar embriões de seus úteros? Colocá-las na cadeia? No Brasil, estima-se que sejam 1,5 milhão de abortos por ano. Lembrando que são relativamente raros os casos de mulheres que fazem dois procedimentos no mesmo ano, precisaríamos de algo como 1,2 milhão de novas vagas/ano em penitenciárias femininas. Isso dá a bagatela de 3.333 vagas/dia, sem botar na conta médicos, parteiras e comadres que se acumpliciam com as criminosas e, pela lei, também deveriam ir para o xilindró. Será que a Santa Sé está disposta a leiloar alguns de seus Michelangelos e Fra Angélicos para nos ajudar a construir tantas cadeias? Minha suspeita é que desejam manter essas práticas na ilegalidade apenas pelo prazer de, depois, perdoar o pecador.

(...) Estima-se que 2/3 a 3/4 dos óvulos fecundados jamais se fixem no útero, resultando em "abortos" espontâneos (...); a "vida em potência", no mais das vezes, torna-se, não "vida em ato", mas "aborto em ato". Se a alma é soprada por Deus no momento da concepção, qual é o sentido desse verdadeiro holocausto anímico? Para cada alma humana que "vinga" duas ou três são sacrificadas antes mesmo de vir à luz. Tamanho "desperdício" seria menos insensato se a Igreja Católica abraçasse, como as religiões antigas, a doutrina da metempsicose (transmigração das almas). A alma não teve sucesso nesta tentativa, paciência, volte mais tarde. Mas, como o catolicismo rejeita a tal da reencarnação, cada aborto resulta numa alma irremediavelmente perdida. (...)

É, entretanto, o fenômeno da gemelaridade que revela todos os limites e contradições da idéia de alma. Gêmeos monozigóticos (idênticos) se formam entre um e 14 dias depois da fertilização, quando o embrião sofre um desenvolvimento anormal dando lugar a dois ou mais indivíduos com o mesmo material genético. A alma, é claro, já estava lá. Cabem, assim, algumas perguntas. Ela também se divide, ou outras almas surgem para animar os demais irmãos? De onde elas vêm? Quem fica com a "original"? E, se gêmeos partilham a mesma alma, como fica o livre-arbítrio? Se um irmão peca, leva o outro --talvez bonzinho-- ao inferno? Ou a alma boa prevalece sobre a má, carregando para o paraíso uma ovelha negra?

Cada um é livre para acreditar ou não em alma, ciência, tratamentos para fertilidade ou uma mistura disso tudo em proporções variáveis. Mas o Estado democrático deve procurar a proporcionar a maior felicidade possível para o maior número de cidadãos, sempre respeitando os direitos de todos. Nessa busca invariavelmente conflituosa, fatos provados devem ter primazia sobre opiniões. Dogmas e crenças de alguns não podem converter-se em obstáculos na busca pelo bem comum.

Há pouco a complementar, mas eu diria que não é só o prazer de perdoar, mas também usufruir da autoridade proporcionada pelo papel de "perdoador".