Nas últimas décadas - por sorte - o mundo não viu apenas o crescimento vertiginoso de religiões, de sectarismos, de seitas, desvarios místicos e de fundamentalismos associados ao terror e à fé. Vem testemunhando também a reação de livres-pensadores, filósofos e intelectuais ateus de todos os matizes. Cientes de que o radicalismo nas religiões pode ser maléfico, e da possibilidade de ser honesto, menos salafrário e, até mesmo, espiritualista sem Deus, os intelectuais produzem trabalhos importantes sobre a temática.
Para eles, por debaixo da aparente democracia do velho axioma "religião e política não se discutem", havia - e há - um sutil artifício de censura e de interdição de esclarecimento pessoal que pode muito bem ter sido responsável pelo estado de alienação e de atraso em que os países latinos em geral - e o Brasil em particular - se encontram atualmente, tanto no universo da política como no da religiosidade. (...)
Daí o alerta de [Sam] Harris:
- Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores - e muitos dos que são eleitos - acreditam que os dinossauros sobreviveram aos pares na arca de Noé, que a luz de galáxias distantes foi criada a caminho da Terra e que os primeiros membros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante e pela mão de um Deus invisível. E o mais bizarro de tudo isso é que esse Deus absconditus tem sido o motivo principal de muitas chacinas, de muitas imposturas e de incontáveis sofrimentos. Se pelo menos aparecesse, desse uma pista aos homens de pouca fé... Mas não, prefere o anonimato e a clandestinidade.
Insiste em habitar o invisível, fato que, para o filósofo Comte-Sponville, é espantoso. Um Deus que se esconde com tanta obstinação!
- Seria simples e eficaz, Deus consentir em se mostrar, pois, se quisesse que eu acreditasse nele, resolveria num instantinho esse assunto. Um Deus oculto!
Para Dawkins, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento. (...)
Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda, Dinamarca e o Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capita, educação, igualdade entre os sexos, taxa de homicídios e mortalidade infantil. Inversamente, os 50 países que ocupam os lugares mais baixos, segundo o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, são religiosos. Enfim, as leituras mencionadas são obrigatórias a qualquer um - ateu ou crente - que queira estar à altura de sua época.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Ateísmo não é o fim do mundo
Uma boa surpresa esse texto encontrado no Diário Catarinense, falando sobre os vários livros lançados recentemente sobre ateísmo. Cito alguns trechos:
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