quarta-feira, 9 de abril de 2008

Isabella

Isabella. Não se pode mais ligar a TV num noticiário, abrir um jornal, nem mesmo aprir um portal na web sem ver essa palavra. Não que eu queira minimizar a barbaridade do ato, mas a quantidade de holofotes me parece exagerada.

Façamos alguns experimentos mentais, que não machucam ninguém. Qual é a diferença entre matar mais rápido ou mais devagar? É melhor morrer após uma semana de tortura, ou viver essa semana normalmente e depois tomar um tiro na nuca? Passando para a infância: o que é pior, atirar uma criança de um prédio ou deixá-la definhar de fome até a morte?

De modo algum estou querendo dizer que considero que o assassino de Isabella cometeu um ato de piedade. Meu ponto é que existem muitas "mortes lentas", mas mesmo assim a atenção fica toda para as "mortes rápidas". Um deputado que desvia verbas que deveriam ir para educação ou saúde está matando crianças lentamente. Mas esses recebem uma curta nota de repúdio, mas não costuma passar muito disso. Já nos casos das Isabellas da vida, são dados blocos inteiros de telejornais (e seus equivalentes nas outras mídias, em proporções semelhantes), organizam-se passeatas, rezam-se missas e novenas, e o assunto domina as conversas, junto com o resultado da última eliminação em algum reality show.

Por que será que isso acontece? Talvez porque atos assim, a um tempo bruscos e inusitados, ultrapassam o limite do decoro. Ficam muito na cara. Privar crianças de comida, saúde e educação, durante anos, as mata de uma forma muito mais lenta, mas também muito mais sutil e discreta.

É parecido com o que acontece quando cai um avião. O estado de comoção geral dura semanas. Cabeças rolam nos órgãos de controle aéreo, exigem-se providências urgentes das autoridades para aumentar a segurança nos vôos. OK, tudo altamente justificável... Mas ninguém nota que nas estradas do Brasil, a cada 48 horas morrem pessoas em quantidade suficiente para lotar um Airbus. Só que a coisa é mais dispersa e menos escandalosa.

5 comentários:

Um evangelista disse...

Oi Elizandro

Nessa estamos juntos. Concordo com você.Mas pode ter certeza, o nosso grito por justiça será um dia atendido. Eu não tenho nenhuma dúvida disso. A intolerância, a ganância, a corrupção, o egoísmo, a injustiça, etc, estão com os dias contados.
Nisso você pode crer.
Um abraço
Rui Magno

Mayson disse...

Rui Magno, posso ter entendido errado, mas da forma como você se define provavelmente quando você fala em "ser atendido" deve estar falando de providência divina, o que é triste pois essa mentalidade de certa forma contribui decisivamente para esse estado de passividade da sociedade diante de seus problemas, principalmente devido os religiosos serem maioria. Revestir nossos problemas com fantasias religiosas não nos ajuda em nada, tá mais que na hora das pessoas usarem a razão assumindo suas responsabilidades e fazendo algo útil do que ficarem com essa espera sem fim desse suposto salvador, afinal, o que essa criatura está esperando? Por esses exemplos é que tanto gosto daquela máxima que diz que duas mãos trabalhando fazem mais que milhares delas unidas em oração.

Rui Magno disse...

MAYSON
Enquanto aguardo esse "suposto Salvador", (que prá mim não é suposto), não estou contribuindo para esse estado de passividade como você disse, mas tenho pregado os ensinamentos bíblicos que podem certamente mudar e transformar o homem degenerado que o leva a cometer essas coisas tristes como ganância, corrupção, egoísmo, ódio, assassinatos,etc.
O que você chama de "fantasia religiosa" prá mim chama-se "realidade espiritual" que tem resultado em grandes mudanças reais em minha vida.
Mãos trabalhando é muito bom, pois significa que você tem saúde para se sustentar fisicamente, mas não se esqueça que o homem também precisa de saúde espiritual e essas mãos unidas em oração fazem muito bem à vida espiritual, uma coisa que parece que você não tem, mas digo que nunca é tarde para começar a tê-la.

Deep Nightmare disse...

Vou ser bem sincero! Mayson concerteza vc é ateu, isso é óbvio, mas tipo sem querer te tirar eu penso assim: não é porque você não acredita em Deus que você tem que criticar quem acredita,
eu demorei mto pra postar no blog, só estou postando porque eu ja estou meio que cansado de ver essa ignorância! Ignorância sim, porque eu tenho um tio ateu, amigos ateus e nenhum deles chega ao ponto de satirizar ou criticar pessoas religiosas!
Apenas mais um conselho: Cada cabeça é diferente, cada um pensa oque quer, e não no que você pensa!!
e antes que me chamem de "crente" igual a outro blog que eu postei: eu sou católico!

Demente disse...

Certa vez, havia uma mulher andando em uma estrada de terra, e ela se encontrou com um homem que, sem mais nem menos, lhe apontou uma arma.

Ela se defendeu com a bíblia: falou a ele sobre a promessa do fim do mal e do sofrimento. O coração do homem bateu mais forte após ouvir tais palavras de esperança.

Dorothy tinha certeza absoluta de que Deus iria protegê-la e mostrar o caminho correto ao homem, daí ela vira as costas e tenta voltar a seus afazeres.

Mas logo depois o homem pensou: isso só vai ocorrer depois da minha morte e eu já vou para o inferno mesmo. E ele matou a mulher.

A mulher era Dorothy Stang e o homem... bem, não me lembro nem um pouco dele.

O que quero dizer é que se mesmo depois de falar da palavra, Dorothy tivesse convidado seu algoz para sua casa e comesse junto com ele, mesmo assim ele a mataria.

O defecho foi muito mais rápido simplesmente porque ela o deixou para trás na estrada, em sua existência vazia, logo após falar palavras que mudariam em nada sua vida.

Notem também que Dorothy é lembrada mais por seus trabalhos na luta contra a pobreza que pela religião que ela pregava.

Algo bem mundano, na verdade, e eu a respeito bastante por isso.

Mas ainda não me convence.